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11 de Março de 1975, mais um dia atribulado para a História da Democracia em Portugal.

Sim a 11 de Março de 1975, faz 49 anos, ocorreram em Portugal acontecimentos “complicados” que marcaram a História da Democracia no nosso País.  E sobretudo porque eu estive lá bem no meio de vários desses acontecimentos, também marcaram indelevelmente a minha própria vida.

Então, Tropas provenientes do chamado “polígono militar de Tancos” – saídas da Base Aérea nº 3 e do Regimento de Caçadores Paraquedistas de Tancos  – comandadas por graduados obedientes ao então general António de Spínola, ex-Presidente da República que o fora logo a seguir ao 25 de Abril de 1974, marcharam em armas sobre o então RAL 1- Regimento de Artilharia Ligeira nº 1, situado à entrada de Lisboa pelo lado de Sacavém, o qual chegaram a bombardear (com aviões e helicópteros) e a cercar, pelos Paraquedistas.

Os principais objectivos confessos foram o de darem um “golpe de Estado” para depor o governo dessa época, para mexer em várias hierarquias das Forças Armadas e para fazer regressar ao poder o general Spínola que, a partir daí, se assumiu historicamente como um “golpista” activo e quer do ponto de vista militar quer político quer mesmo enquanto pelo menos inspirador de atentados.

A História também prova que ele foi sistematicamente derrotado nessas aspirações, embora, posteriormente, “amigos” seus, personagens proeminentes, também o tenham digamos que reconfortado pelos desaires.  Enfim, os “amigos” são para as ocasiões…

No dia 11 de Março, a recusa da larga maioria da Tropa da EPC – Escola Prática de Cavalaria, em Santarém, em sair para a rua a envolver-se nas movimentações “golpistas”, só por si tal recusa apressou, de imediato, a derrota dos “fiéis” a António de Spínola os quais contavam com “o ovo no cu da galinha” como é costume dizer-se, ou seja estavam todos confiantes em que a EPC, então dotada de grande capacidade operacional e de combate, iria aderir ao golpe.  Pois não aderiu e também para isso mesmo demos o nosso modesto contributo que, nessa altura, éramos um miliciano graduado nessa Unidade Militar.

Salgueiro Maia volta a ser decisivo a 11 de Março.

Durante um “Plenário de Oficiais” da EPC convocado pelo Comando deste Quartel, expressamente para confirmar a saída da Tropa da EPC para a “sublevação militar com o apoio de importantes sectores civis” – o Comando dava “de barato” que estava garantida essa saída e enganou-se… – a discussão que decorreu com algum dramatismo – pudera ! –  terminou com o Capitão Salgueiro Maia, que fora interpelado directamente pelo Comandante, a declarar convicto:- “Acho que não devemos sair com a Tropa para a rua.  Eu não vou contra os ´camaradas´ que comigo fizeram o 25 de Abril !”.  E assim foi.    Mais uma vez, “abençoado” Salgueiro Maia !

Ainda nessa tarde, Maia voltou a intervir, embora agora contra-vontade que foi “obrigado”, por superiores hierárquicos – também fomos testemunha disso –  a ir num helicóptero desde Santarém a Tancos, a “livrar” Spínola de ser lá detido (preso) e a poder sair para Espanha tipo “refugiado”…o que de facto aconteceu.

Portanto, um ano depois do 25 de Abril de 1974, os acontecimentos do 11 de Março de 1975 abriram a porta ao avanço da “Revolução dos Cravos”.  Mas também logo provocaram a reacção a vários níveis e âmbitos o que viria a culminar na “golpada” do 25 de Novembro, ainda em 1975.

E tal como sempre remato esta conversa, reafirmo:- “Eu estive lá !  Sei do que falo ! “.

Viva o desenrolar vitorioso do 11 de Março de 1975 !

 

 

 

 

João Dinis, Jano

(Veterano do 11 de Março de 1975)

 

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