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A necrópole que pode mudar Moreira de Rei…

Freguesia do concelho de Trancoso tem a maior necrópole da Europa, contando com mais de 700 sepulturas escavadas na Rocha…

Uma equipa de arqueólogos encontrou cerca de 700 sepulturas antropomórficas na aldeia de Moreira de Rei, no concelho de Trancoso, um número inusitado que faz do local a maior necrópole do género da Península Ibérica e da Europa. Mais: foram ainda descobertas cerca de 360 ossadas que se encontravam tal como o defunto havia sido sepultado. Elementos que surpreenderam praticamente toda a gente. Incluindo João Lobão, um dos arqueólogos da Câmara Municipal de Trancoso, que tem passado os últimos tempos a trabalhar naquele espaço”, no largo da igreja de Santa Marinha, datada do século XII, que está classificada como Monumento Nacional desde 1932.

Lobão está a ultimar os derradeiros detalhes em termos de arqueologia para que seja implementado o arranjo urbanístico que irá procurar preservar a circulação na zona, deixando ao mesmo tempo parte da necrópole à vista dos forasteiros. O plano, de resto, prevê a valorização da igreja e da área envolvente, mas também a criação de um Centro de Interpretação da necrópole no interior do monumento.

“O projecto está na sua fase final e as obras devem estar concluídas até ao final do ano”, refere este arqueólogo sem esconder que também ele ficou surpreendido com a dimensão da necrópole. “Estamos a falar de cerca de 700 sepulturas escavadas na rocha que são datadas entre o século IX e o século XIV”, sublinha, assinalando que existem várias situações únicas nesta necrópole. “Sabemos que há sepulturas que foram feitas depois da igreja construída no século XII. Não é normal continuar a existirem sepulturas escavadas na rocha depois da construção das igrejas, mas aqui manteve-se, tendo-se prolongado no tempo”, sublinha.

Mas além das sepulturas, outro dos achados importantes desta obra iniciada em 2018 prende-se com “cerca de 360 sepulturas que ainda mantinham as ossadas de indivíduos tal como foram enterrados”. “Tudo isto vai-nos permitir saber muito sobre esta população. Como a relação que tinham com a morte, por exemplo. É um achado extremamente importante”, sublinha João Lobão.

A descoberta da inusitada dimensão necrópole aconteceu há cerca de dez anos, quando durante uma intervenção foram encontradas sepulturas longe da igreja. “Isso mostrou logo indícios de que estaríamos perante uma necrópole grande”, conta João Lobão, frisando que, por isso, quando surgiu o projecto de requalificação da igreja e do largo envolvente já estavam previstas as escavações.

O arqueólogo não tem dúvidas que a existência da necrópole de grandes dimensões é uma “mais-valia para o turismo” e para o futuro da freguesia que tem cerca de 500 habitantes e está a pouco mais de sete quilómetros de Trancoso. Durante o mês de Agosto, assegura, devem ter visitado o local cerca de um milhar de pessoas.  “E a divulgação ainda não é grande”, diz.

“A antiga vila de Moreira de Rei precisa de ser preservada para ser transformada “num pequeno ponto de atracção turística”

O elevado número de sepulturas escavadas na rocha surpreendeu também o presidente da Assembleia Municipal de Trancoso, José Amaral Veiga, que é natural de Moreira de Rei. O autarca, que em criança brincou muitas vezes no local, explicou à Lusa que estava “longe de imaginar” que tivessem ossadas e que “existisse uma quantidade tão grande que transforma a necrópole numa das maiores da Europa”.

José Amaral Veiga entende que agora Moreira de Rei, que foi vila e cabeça de concelho extinto em 1855, “tem de ser preservada” para ser transformada “num pequeno ponto de atracção turística” de “inegável valor”. Uma opinião partilhada pela vereadora com o pelouro da Cultura na Câmara de Trancoso, Ana Couto, que considera, em afirmações à Lusa, a necrópole como “uma grande descoberta” para o território. A autarca refere que a requalificação do espaço manterá os vestígios históricos, para que Moreira de Rei tenha o seu património “acentuado” e “divulgado” e possa atrair turistas.

Fotos: Nuno Tavares

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