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Alunos de Oliveira do Hospital realizam greve insólita de solidariedade para com os professores

Os alunos da escola secundária de Oliveira do Hospital juntaram-se hoje à “luta” dos professores, concentrando-se em frente à escola sede do Agrupamento daquele concelho numa insólita greve aos três primeiros tempos lectivos, período em que o corpo docente está obrigado a cumprir serviços mínimos. A iniciativa, segundo a Associação de Pais, partiu espontaneamente dos estudantes e contou com o apoio dos encarregados de educação. “Alunos em greve para salvar a educação” era um dos lemas dos mais de 100 alunos que participaram nesta actividade e que foram brindados com falta injustificada às aulas em que deveriam estar a participar naquele momento.

“Mas há acções que têm de ser tomadas”, conta Eduarda Pinho,  a presidente da Associação de Estudantes, frequenta 12º ano e sente que está a ser extremamente prejudicada pela ausência sistemática de aulas. “Os professores procuram defender os direitos que foram perdendo e do lado de quem tem responsabilidade, o Ministério da Educação, encontram uma parede. Não obtêm respostas para reivindicações que consideramos justas”, refere

Esta aluna de 17 anos considera que o corpo docente está desmotivado e revoltado. “Obviamente, estas não são as melhores condições para ensinar e preparar os alunos para os exames nacionais que não vão levar em conta se a matéria que foi ou não leccionada. Eu e os meus colegas sentimo-nos prejudicados e sentimos também que quem tem responsabilidade não respeita os professores, mas também não respeita os alunos”, conta, enquanto os seus colegas vão gritando palavras de ordem, tendo a voz de Zeca Afonso como fundo.

“Este problema tem de se resolver. É demasiado tempo e estamos a ser muito prejudicados. Esta é a nossa contribuição para a luta dos professores que começa a ser também a nossa, uma vez que estamos a ser muito prejudicados”, afirma a sua colega Matilde Freixinho. “Se esta nossa acção tiver um pequeno contributo para solucionar o problema ficaremos muito satisfeitos”, diz.

“Queremos demonstrar que não somos um número e que não estamos à parte de todo este processo”, refere por seu lado Mafalda Correia, de 16 anos, que frequenta o 11º ano. “O segundo período começou em Janeiro, estamos em Março e ainda não tive uma semana inteira de aulas. Isto é intolerável”, sublinha, enquanto uma das suas colegas lembra que, ainda por cima, estiveram muito tempo sem professores de português e psicologia. “E aqueles alunos que vão ter exame a português?”, questiona Eduarda Pinho, frisando que se for necessário voltam a fazer greve. “Têm de encontrar uma solução. Isto é insuportável”, remata. Ao seu lado, Tiago Figueiredo que frequenta o 11º ano. “Os professores ainda assim têm feito tudo para mitigar os problemas que nos são causados pela ausência de aulas”, conclui.

“Os alunos estão a tomar consciência de que isto está a prejudicar o ensino. Vão ter exames e não estão manifestamente preparados e dificilmente vão recuperar este tempo perdido. Por isso, é necessário colocar um estado de coisas, sendo que as reivindicações dos professores são justas”, conta Susana Faria, presidente da Associação de Pais. “Esta posição foi inteiramente da responsabilidade dos alunos, sem que ninguém os tivesse incentivado. Limitámo-nos a apoiar”, conta.

A professora Ana Mendonça, que lecciona matemática há 32 anos, mostra-se algo surpreendida e grata com esta “atitude espontânea de solidariedade” por parte dos estudantes. “Isto demonstra que já não é só uma luta dos professores, mas que está a passar para os alunos. Isto deveria fazer disparar os alarmes no Ministério”, conta, reconhecendo que este clima de incerteza não é bom para ninguém. Não é bom para os professores, nem para os alunos, nem para os auxiliares de educação. “Como é que o ministro da Educação não vê que esta luta dos professores têm o apoio de todos os sectores da sociedade e que é necessário estabilizar o ensino”, remata.

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