Home - Opinião - Bandeira a meia haste. A cultura em Oliveira do Hospital está de luto! Autor: André Duarte Feiteira
À Boleia Autor: André Duarte Feiteira

Bandeira a meia haste. A cultura em Oliveira do Hospital está de luto! Autor: André Duarte Feiteira

Segundo a definição de conto, é necessário haver um narrador (e aqui me apresento), personagens (e acreditem que as há), o ponto de vista (que será o meu) e o enredo (que está aos olhos de todos). Pois bem, vamos lá começar o conto!

Esta história remonta a 8 de setembro de 2016, quando, na época, a ainda vereadora da cultura Graça Silva referiu: “vamos construir um novo espaço, provavelmente único na região com potencialidade de ter diferentes e diversificados pacotes e programas culturais”. Muito bem senhora vereadora! Só podemos concluir que é uma visionária, afinal, há algo de tão “único” na região que seja lançado em 2016 e que em 2023 ainda continue encerrado? E as “potencialidades de ter diferentes e diversificados pacotes e programas culturais”? Disso nem vale a pena escrever, está aos olhos de todos, o que já passou por este magnifico espaço…

Neste mesmo dia, o então presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital e atual deputado da Assembleia da República, José Carlos Alexandrino, vai mais longe que a sua vereadora, pasme-se, e afirma o seguinte: “espero ver este espaço a funcionar a tempo do feriado municipal de 2017”. Senhor deputado, agora que estamos em 2023, não acha um pouco exagerado? O mesmo, foi mais longe e reiterou: “A partir de hoje, quando estrear um filme em Lisboa, estreia também em Oliveira do Hospital” … a malta já só quer mesmo ver um filme, esqueça lá as estreias em Lisboa e no Porto!

Para tentar explicar este conto, já que não tenho ferramentas ao meu alcance, vou ter de me recorrer à «Alegoria da Caverna», narrada por Platão na sua obra «A República».

Platão criou um diálogo entre Sócrates e o jovem Glauco. Sócrates pede para que Glauco imagine um grupo de pessoas que viviam numa grande caverna, com os seus braços, pernas e pescoços presos por correntes e voltados para a parede que ficava no fundo da caverna. Atrás dessas pessoas, existia uma fogueira e outros indivíduos transportavam objetos que tinham as suas sombras projetadas na parede da caverna, onde os prisioneiros observavam. Como estavam presos, os prisioneiros podiam notar apenas as sombras das imagens, julgando serem aquelas projeções a própria realidade.

Um dia, uma das pessoas presas nesta caverna conseguiu libertar-se das correntes e saiu para o mundo exterior. A princípio, a luz do sol e a diversidade de cores e formas assustaram o ex-prisioneiro, fazendo-o querer voltar para a caverna. No entanto, com o tempo, ele acabou por se admirar com as inúmeras novidades e descobertas que fez. Assim, tomado por compaixão, decide voltar para a caverna e compartilhar com os outros prisioneiros todas as informações sobre o mundo exterior. As pessoas que estavam na caverna, porém, não acreditaram naquilo que o ex-prisioneiro contava e chamaram-no de louco. Para evitar que as suas ideias atraíssem outras pessoas para os perigos da insanidade, os prisioneiros mataram o fugitivo.

Esta história é uma tentativa de explicar a condição de ignorância em que vivem os seres humanos, aprisionados pelos sentidos e preconceitos, que impedem o conhecimento da verdade.

Para terminar o conto gostaria de deixar claro que só nos deixamos embrutecer por escolha própria. Não podemos permitir que o Concelho onde vivem e onde querem criar os vossos filhos seja apenas isto, uma mão cheia de nada. Sei que o desporto é importante e devemos estimular a sua prática, contudo, não podemos passar sete anos a correr e a exercitar o corpo quando a mente fica entorpecida, afinal, um país sem cultura, é um país sem educação.

À Boleia Autor: André Duarte Feiteira

 

 

 

Autor: André Duarte Feiteira

 

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