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Dois pesos e… Autor: Fernando Roldão

Sempre me lembro de ouvir a expressão, dois pesos e duas medidas, como corolário de injustiças, pouco ou nada honestas.

O povo usa-a na sua singela revolta contra as assimetrias de que é alvo, mas infelizmente não passando disso, pois falta-lhe a parte de passar das palavras aos actos.

Sempre está relacionada com situações similares tratadas de formas completamente diferentes, seguindo critérios diferentes e à mercê da vontade das pessoas que as executam ou do poder instituído.

Não pensem que é uma expressão recente, pois ela é, aliás, bem antiga, tão antiga que já aparece na Bíblia, no livro de Deuteronômio (25:13-16).

Esta expressão deriva do tempo em que não existia um método de sistema de medidas e pesagens, definitivo e uniforme que servisse de padrão.

Assim, cada pesagem e medida eram feitas desigualmente, instituindo um roubo, aceite e generalizado.

Depois da chegada dos métodos e técnicas uniformes, pensou-se que as coisas iriam entrar na normalidade, na igualdade e na honestidade.

Conhecendo os atributos da espécie humana, fácil e rapidamente, chegámos à conclusão de que era mais uma utopia, igual à famosa democracia, tão propalada pelas elites e poderes instituídos.

A prova da verdade tem sido “provada”ao longo dos séculos, atingindo o seu apogeu quando nos impingiram a “democracia”.

Portugal é um dos países que mais utiliza o sistema de dois pesos e duas medidas.

Recuando no tempo, umas dezenas de anos, a nossa história está repleta destas pesagens, onde, como sempre, o povo é sempre o mais lesado.

Os julgadores, influenciados pelo poder político, deixam-se levar por estas tremendas e abusadoras injustiças, sem o mínimo remorso moral, quanto às consequências, que, estas cumplicidades pesam nas pessoas, sofrendo verdadeiros ataques à sua liberdade, tanto mais que estas estão, na sua esmagadora maioria, sem hipóteses de se defenderem dos agiotas e vendilhões.

As cadeias estão cheias de cidadãos que cometeram pequenos ou médios delitos, estando privados das suas liberdades, que olhando através das grades das suas celas, vêem os verdadeiros criminosos de lesa pátria, passeando-se por aí, com arrogância e total desprezo para com o resto da sociedade.

Somos olhados com desdém, como se fossemos idiotas ou atrasados mentais.

Somos o povo com mais atestados de estupidez passados pelo nosso sistema judicial, pelos políticos e pelas organizações corporativas.

Crimes de homicídio, pedofilia e corrupção, prescrevem devido a “erros” grosseiros cometidos com a maior das impunidades, num sistema onde as relações pessoais contaminam a moral e a justiça.

Banqueiros e políticos, com longos processos judiciais, complexos e propositadamente, mediáticos, são “empurrados” para as estantes dos arquivamentos, onde a palavra de ordem é, prescrição.

O Zé Maria dos Anzóis não tem essa sorte, porque não conhece o senhor Cunha, que é um alto funcionário das superiores instancias deste pobre país.

O povo quer futebol, daí não ter tempo para ler, por exemplo, o Diário da República, 1 série, n 131,de 7 de Julho de 2023, onde está publicada a resolução da Assembleia da Republica, numero 81/2023.

Um primeiro-ministro, 11 ministros, 13 secretários de estado, 33 deputados e 133 autarcas, foram constituídos arguidos nos últimos seis anos.

Alguém pergunta quais foram as consequências para as pessoas que constam desta enorme lista?

Alguém pergunta onde estão os resultados de processos que se arrastam há quase 10 anos, sim leu bem, 10 anos?

Nós queremos saber onde estão os milhões de euros, reais que passaram a virtuais, quando entraram no nosso espaço aéreo.

Alguém explica porque acabou o SEF? Os cantoneiros? Os Guardas-Florestais?

Alguém explica porque os responsáveis dos fogos de 2017 não foram julgados e o processo vai ser arquivado?

Alguém penaliza afirmações, graves e com indícios de alta traição, as pessoas com cargos de responsabilidade neste país?

Alguém explica porque há crianças retiradas aos pais por falhas, socialmente possíveis de atenuar e outras desaparecem sem ninguém ser responsabilizado?

O sistema de saúde e o judicial, são os exemplos máximos que dão força à frase, dois pesos e duas medidas.

Os portugueses têm de fazer o funeral ao senhor Cunha.

Está na hora dos portugueses exigirem um sistema de pesagem e medição, ultima palavra tecnológica, de preferência digital, a fim de acabar com sistemas obsoletos, que nos espoliam todos os dias, sem dó nem piedade.

 

 

Autor: Fernando Roldão

Texto escrito pelo antigo acordo ortográfico

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