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“É a distinção mais importante da minha vida”

Fotojornalista Alfredo Cunha foi homenageado pelo município de Celorico da Beira

“Estou um bocado comovido por receber esta distinção. Já recebi muitas, mas esta é a mais significativa de todas. É a mais importante da minha vida”. Foi assim que o fotojornalista celoricense Alfredo Cunha reagiu ao ser distinguido, no dia 23 de Maio, com a medalha do município de Celorico da Beira, num evento em que foram também homenageados os celoricenses que estiveram a combater no Ultramar. Alfredo Cunha, um dos repórteres mais prestigiados a nível nacional e internacional, explicou que para estar na cerimónia do feriado celoricense teve de declinar um convite por parte do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, para ir a Roma inaugurar uma exposição com Sebastião Salgado (fotojornalista brasileiro).

“Tinha de estar aqui. O meu avô Alfredo Cunha iniciou a sua actividade de fotógrafo aqui. O meu pai também. E nunca deixei de vir a Celorico. Parece que existe aqui uma fonte de felicidade”, explicou, recordando alguns momentos da sua infância.  “Aprendi a fotografar aqui, a ajudar o meu pai nos casamentos. Foi talvez o período mais feliz da minha vida. Ia ao rio, ao castelo… A minha memoria está povoada de pessoas de Celorico”, notou.

Alfredo Cunha lembrou ainda que utilizou a primeira máquina fotográfica aos sete anos “ali no mítico Café da Beira”. “Foi numa tarde de domingo e fotografei os meus amigos que estavam reunidos para ver os desenhos animados”, contou, enfatizando a sua satisfação por ser reconhecido em Celorico das Beira. “É fantástico. Foi a melhor coisa que me podia ter acontecido”, disse, salientando que ao longo da sua carreira foi fotografo de dois presidentes da República (Ramalho Eanes e Mário Soares), recebeu várias comendas, diversas distinções nacionais e internacionais. “Mas esta era a medalha que eu queria”.

O secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado, que presidiu às cerimónias, na sua intervenção, não resistiu a tecer um comentário sobre o estado de alma de Alfredo Cunha. “É o exemplo máximo de amor à sua terra. Tive um dia o privilégio de ser homenageado pelo meu município com a medalha de honra e sei o que significa” … disse o governante.

Alfredo Cunha, recorde-se, nasceu em Celorico da Beira, em 1953. Em 1970, iniciou a sua carreira profissional em fotografia e, em 1971, entrou no jornal Notícias da Amadora. Desde então, colaborou com muitas publicações, como O Século, o Público ou o Jornal de Notícias, tendo exercido em algumas o cargo de editor de fotografia. É autor das famosas séries fotográficas dedicadas ao 25 de Abril de 1974 e à descolonização portuguesa, entre outros trabalhos de relevo em zonas de conflitos. Já publicou dezenas de livros de fotografia e apresentou dezenas de exposições, tendo recebido vários prémios e distinções pelo seu trabalho.

O livro “25 de Abril 1974, Quinta-feira”, o último que lançou, é, segundo o autor, a sua obra definitiva sobre a “revolução dos cravos”. “Vou fechar o meu arquivo. Nunca mais vou publicar nada sobre o 25 de Abril. Este é o livro definitivo. Agora, irei, provavelmente, fazer um projecto sobre o queijo Serra da Estrela nos anos 70”, concluiu, adiantando que o acervo fotográfico sobre o 25 de Abril irá para o Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

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