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E as vítimas de Outubro 2017… Autor: Fernando Tavares Pereira

O PRR e a necessidade de revitalizar o sector produtivo

As vítimas dos incêndios de Outubro 2017 parecem não merecer da parte dos governantes a atenção que é dada àquelas que foram flageladas a 17 de Junho por uma catástrofe similar. Todo o destaque que é dado a este acontecimento centralizado em Pedrogão Grande é pouco. Mas as entidades oficiais não podem esquecer que a 15 de Outubro as chamas causaram igualmente várias vítimas mortais, varreram casas e empresas na região da Beira Serra. Não posso, por isso, deixar de lamentar que o Presidente da República se tenha deslocado (e bem, diga-se) no dia 10 de Junho a Pedrogão Grande para relembrar as vítimas daquela tragédia e que se tenha esquecido de convidar para a cerimónia o Movimento Associativo de Apoio às Vítimas do Incêndio de Midões (MAAVIM), a maior associação de vítimas dos Incêndios de 2017. Há aqui um aparente esquecimento de quem sofreu com as chamas de Outubro.

Percebemos que incomodamos. Que pedimos o que nos prometeram e o que nos é devido. Que denunciamos que fomos enganados com palavras e promessas. Repito: estamos solidários com as vítimas e os afectados dos incêndios de Pedrogão Grande, mas Outubro não pode ser esquecido. Há aqui gente que não teve qualquer ajuda. E todos os meses fazemos questão de lembrar ao nosso Presidente da República, por “e-mail”, que continuamos com milhares de agricultores que nunca receberam qualquer apoio, com centenas de famílias sem as suas habitações e dezenas de empresas que nunca tiveram ajuda. Que gostaríamos também de saber o resultado do inquérito aos incêndios de Outubro de 2017. Nunca foi aberto e debatido. Esta nossa insistência é incómoda. Aguardamos que este Governo se desloque a 15 de Outubro ao local dos incêndios dessa data, tal como fez a 17 de Junho, com a deslocação a Pedrogão Grande.

Insisto que estamos solidários com as vítimas dos incêndios de Junho e que toda a ajuda é pouca. Mas somos todos iguais. Não somos portugueses de segunda. Devemos ter o mesmo tratamento. Só queremos que cumpram as promessas aos que ainda por cá resistem. Ficamos a aguardar pelo 15 de Outubro.

O PRR e a necessidade de revitalizar o sector produtivo

Uma das minhas preocupações prende-se com a aplicação do ambicioso Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Estamos a falar de um programa que tem de ser executado até 2026. É uma ferramenta que vai implementar um conjunto de reformas e de investimentos destinados a colocar o país no caminho da retoma e do crescimento económico. Mas até ao momento verifica-se que o programa está muito distante das empresas. Os nossos políticos não podem esquecer que é o investimento empresarial, a inovação das mesmas que melhor podem ajudar numa convergência com a Europa. O investimento no sector público é sem dúvida importante, principalmente se servir para diluir as assimetrias regionais. Mas se as empresas, o verdadeiro motor da economia, forem esquecidas, então, temo que esta seja mais uma oportunidade perdida pelo nosso país. Esperemos que exista visão e força de vontade política para executar o programa em favor do país real.

Autor: Fernando Tavares Pereira

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