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Futebol. Autor: Fernando Roldão

Não podia deixar de escrever à cerca desta modalidade desportiva, espectáculo de multidões, de ilusões, alegrias, frustrações e algumas outras coisas terminadas em “ões”, visto o campeonato europeu de selecções estar a decorrer na Alemanha.

Portugal está presente em mais esta edição, esperando, é a ultima a morrer, que consigamos obter um bom resultado, sem lágrimas e com orgulho.

Posto isto, vou retroceder no tempo e constatar que o futebol já era jogado, em tempos ancestrais, na China, chutando bolas para dentro de balizas, por volta do século III A.C.

O jogo como hoje o conhecemos, foi implementado em Inglaterra no século XIX.

Na cultura Maia, jogava-se, alegadamente, como substituto da guerra, resolvendo as questões diplomáticas, com um jogo de bola, mas, há sempre um mas, em alguns jogos, os derrotados eram sacrificados.

A primeira ilação que podemos  tirar, é de que não haveriam mais guerras e provavelmente também, não aconteceriam campeonatos da Europa ou do Mundo.

Torneios à parte, a modalidade só ganhou existência em 1885, quando jogadores e dirigentes se agruparam e criaram a FIFA ( Fédération Internationale Football Association), em 1904.

A partir daí, o futebol ganhou tal incremento, que após a sua estreia nos Jogos Olímpicos de 1908, surgiu o primeiro campeonato do mundo em 1930.

Os ingleses foram os criadores do futebol moderno, regulamentando esta modalidade desportiva, como a conhecemos hoje, daí ter surgindo o “football ou foot-ball.” (foot = pé; ball = bola), ou seja jogo de bola com os pés.

Modalidade desportiva de massas, arrastando multidões de todas as idades e origens.

Associado a este verdadeiro fenómeno, surgiram as rivalidades desportivas, com a criação dos clubes de futebol, onde a partir de determinada altura, valores astronómicos, compadrios, apostas e por simpatia, a corrupção, eram inevitáveis.

As emoções pela modalidade tornaram-se enormes e perigosas, com o nascimento das famosas claques, dando origem a verdadeiras batalhas campais, como aconteceu na Bélgica em Maio de 1985, quando 39 adeptos morreram e mais de 600 ficaram feridos num jogo para a Liga Europa, entre a Juventus e o Liverpool no estádio Heysel.

Infelizmente há mais, lembrando, talvez o maior, onde 125 pessoas pereceram na Indonésia, num campo de futebol.

Apesar de muitos acidentes graves em 40 anos, como por exemplo, em 1985, em Moscovo, onde adeptos foram esmagados num jogo da UEFA, entre o Spartak de Moscovo e a equipa holandesa HFC Harleem, no estádio Luzhniki, o futebol continua a ser a ópio do povo, repasto dos milionários; os donos da bola!

Este fenómeno tem repercussões sociais de vária ordem, passando por rivalidades de morte entre alguns adeptos mais extremistas e menos civilizados.

Alguns detractores do estado novo, andam a apregoar há mais de 50 anos, que antigamente a lavagem cerebral tinha três ingredientes; Fátima, Futebol e Fado.

Fátima ainda existe e vai de vento em popa, o Fado foi substituído pelo Kizomba.

Resta olhar para o Futebol, que não só não morreu, como cresceu desmesuradamente.

São escritos textos que são autênticos tratados científicos e tácticos sobre o jogo.

As televisões estão cheias de verdadeiros explicadores com formação superior nesta matéria, onde exibem um ar sério e catedrático, debitando as suas prosas altamente eruditas, adoptando as suas poses fotogénicas e cinéfilas.

Defendem uns e crucificam outros, dependendo da cor da camisola que vestem, incitam conflitos verbais que muitas vezes se tornam físicos, autenticas aulas de maledicência

Os reais problemas do país, não são nada, comparados com o pontapé na bola, onde jogadores, dirigentes, bem como todo o séquito subserviente, ganham somas astronómicas, escandalosas e imorais, enquanto um professor, um cirurgião, um cientista, um técnico de limpeza ou um chefe de família, sobrevivem com esmolas.

Portugal está, mais uma vez a viver uma ilusão, pois ainda não percebeu que está a ser usado para que o espectáculo possa continuar.

Portugal enfeita as varandas, os carros, criando anúncios comerciais altamente apelativos, virados para o consumismo e excessos de toda a ordem.

Anda quase todo o mundo na rua a dar vivas à “redondinha”, criticando implacavelmente os jogadores e o treinador, não permitindo erros, exigindo que seres humanos, joguem como “robots”, não perdoando o mais pequeno deslize.

Se pararmos para pensar, durante o intervalo, perguntando porque somos tão exigentes com o “circo e os seus actores”e não o somos com os partidos que têm conduzido o país às sucessivas bancas rotas, ao consequente empobrecimento do país e à sua degradação.

Cada um que meta a mão na sua própria consciência e acorde para a realidade.

 

 

 

Autor: Fernando Roldão

Texto escrito pelo antigo acordo ortográfico

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