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Portugal: e se não tiver de ser assim? O que é:… Autor: Elisabete Simões Oliveira

Percebo o desânimo. A falta de confiança. A desesperança. Percebo-as na rua, na vida de cada um. E é por as perceber, por perceber a facilidade com que nos podem contaminar, que tive necessidade de escrever, partilhando convosco, parte do que sinto e penso, sobre o momento que hoje vivemos enquanto País.

Nos últimos anos, o Partido Socialista tem gerido ilusões, conseguindo habilmente distribuir apoios que mitigam a pobreza sem lhe conseguir responder de forma estrutural, anunciando e cabimentando investimento em áreas tão estruturantes como a educação e a saúde, que acaba por não concretizar.

Neste cenário, vai-se construindo uma perigosa crença de que a “vida não está fácil”, mas procurar uma alternativa, arriscar em desejar melhor, pode ser fatal: “e se perdermos o pouco que temos”?

Paralelamente, continuam a alimentar a narrativa de um Partido Social Democrata que estando no Governo cortou salários e pensões.

Esquecem-se sempre da parte mais importante do argumento: o programa de resgate, que recordemos foi ainda negociado pelo Partido Socialista, e que foi executado pelo governo PSD/CDS foi necessário, porque após uma governação profundamente danosa do PS então liderado por José Sócrates, o país estava na bancarrota e não teve outra alternativa que não pedir dinheiro, aceitando as condições de quem o emprestava.

Essa é a parte essencial da história e esquecê-la não é sério.

Mas convenhamos, nos últimos anos, a seriedade, a transparência e a integridade não se têm apresentado como os melhores adjetivos para descrever a ação do Partido Socialista e os recentes acontecimentos, que levaram à demissão do Primeiro Ministro, à dissolução da Assembleia da Républica e consequente marcação de eleições legislativas antecipadas, acabam por o comprovar mais uma vez.

Mas, deixemos à justiça o que é da justiça.

Afinal, a impunidade é tão perigosa como uma condenação antecipada, que se se faz na imprensa e na praça pública e que ao descredibilizar as instituições, abre caminho a extremos e à fragmentação da sociedade.

Uma democracia forte, precisa de um sistema de justiça confiável e eficiente e por isso, desejo, como todos os portugueses, que a justiça seja ágil e séria na condução destes processos.

Não obstante, importa sublinhar que António Costa não é um homem enganado. Estas são pessoas que ele intencionalmente promoveu e das quais se rodeou e que depois abandonou no momento em que se tornaram um embaraço. E isso é uma evidência.

Como também é uma evidência o ambiente de impunidade e arrogância que se encontrava instalado no governo e que levou a uma sucessão de “trapalhadas” e acontecimentos inaceitáveis que nos pedem para “normalizar”: desde indemnizações milionárias, negócios ruinosos pagos pelos contribuintes, um sistema Nacional de Saúde profundamente doente e uma Escola pública incapaz de se estabilizar e de garantir as condições necessárias para cumprir a sua missão.

Mas voltemo-nos para o essencial. Voltemo-nos para presente e futuro do nosso País.

Tal como o retrato dos seus governantes, o retrato de Portugal é preocupante. Os dados mais recentes da Pordata, revelam que em 2021, Portugal tinha 1,7 milhões de pessoas a viver abaixo do limiar da pobreza, sendo esse número equivalente a 17 % da população do país, o que significa que, em 2021, um em cada cinco portugueses era pobre.

Por outro lado, o país está a perder «muitos dos seus melhores» estudantes para a emigração e não apenas após a licenciatura. Já há muitos jovens a sair de Portugal quando acabam o secundário e só um maior crescimento económico poderá inverter esta tendência, mas o país parece continuar a não acordar para esta realidade.

O salário e o trabalho deixaram de ser fator de competitividade individual e coletiva e esse é o principal indicador de pobreza económica. Os números compilados pela Fundação Francisco Manuel dos Santos permitem verificar que a população portuguesa tem perdido poder de compra e mais de metade das despesas das famílias vai para bens essenciais.

Do pão, aos combustíveis. Do preço do azeite à eletricidade e às taxas e taxinhas. Do esmagamento dos salários médios com o salário mínimo.

E depois temos a Habitação. A habitação que não existe. A habitação que não se consegue pagar. Os jovens que trabalham e não conseguem sair de casa dos pais. Os que não vivendo em casa dos pais, não conseguem pagar mais do que um quarto.

No setor da habitação, os dados estatísticos da Fundação Francisco Manuel dos Santos mostram que o preço das casas aumentou 90% em relação a 2015, quando os salários aumentaram 20%, estando Portugal entre os quatro países da União Europeia com maior aumento dos preços das casas.

E tem de ser isto?

Sempre estive convicta de que as mudanças que procuramos se constroem por dentro. Se constroem a partir, da sempre complexa realidade, e não dos lugares confortáveis, que ficam fora da arena e onde as soluções para os problemas se apresentam, sempre, como muito fáceis de concretizar, mas nunca nos trazem propostas concretas, nem a estratégia que as permita implementar.

É assente nesta convicção que tive e continuo a ter uma participação política ativa. Porque acredito. Acredito que não somos todos iguais.

Acredito que existe muito valor no meu País e tenho o privilégio de o ver todos os dias.

Vejo esse valor nas pessoas. Nas empresas. Nas instituições. No Território. Valor para alcançarmos o desenvolvimento e o crescimento que precisamos.

Não podemos não ter esperança. Não podemos não acreditar.

Não podemos é também acreditar, que o mesmo caminho, nos vai levar a um destino diferente.

O país precisa de um novo caminho. De uma nova liderança que seja clara, que se faça verdadeiramente próxima das populações, que coloque efetivamente, no centro da sua ação, as preocupações e problemas dos portugueses.

Essa tem de ser o único desígnio do PSD.

E essa mudança é possível. Essa mudança é necessária. Essa mudança é urgente.

 

 

Autor: Elisabete Simões Oliveira, Presidente da Comissão Política de Secção do PSD de Arganil 

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