Home - Últimas - “Queremos dinamizar o espaço rural…. É a melhor forma de garantir a prevenção e protecção contra os incêndios”

“Queremos dinamizar o espaço rural…. É a melhor forma de garantir a prevenção e protecção contra os incêndios”

O concelho de Seia é aquele que produz mais queijo de ovelha em Portugal, transformando 15 milhões de litros de leite anualmente

 O concelho de Seia é reconhecido pela sua indústria de lacticínios. É o município que produz mais queijo de ovelha no país, transformando mais de 15 milhões de litros de leite de ovelha por ano, do qual só uma pequena parte serve para o queijo Serra da Estrela DOP. Tal como todos os concelhos da zona demarcada, Seia também tem a sua Feira anual do queijo. No fim-de-semana de Carnaval, o que permite atrair quem se desloca à Serra da Estrela. “Estou em crer que este evento já é um destino por si só. No entanto, reconhecemos que acabam por se complementar. Quem vem à feira acaba por visitar a Serra e quem vem ver a neve acaba por vir à feira”, conta o presidente da Câmara Municipal. Luciano Ribeiro explica que os programas de televisão, ao contrário do que acontece nos concelhos vizinhos, não têm lugar na Feira de Seia. “Queremos que venha gente para comprar, para vender e não para empatar”, refere o autarca que investe cerca de 130 mil euros no evento, sendo que considera o retorno claramente positivo em vários aspectos, embora só agora esteja a ser feito um estudo para calcular valores exactos. “Mas o balanço é claramente positivo”, sublinha o autarca que está a criar na autarquia uma equipa multidisciplinar que se irá dedicar ao desenvolvimento rural, apoiando os pastores e os agricultores. “Queremos dinamizar o espaço rural…. E esta é a melhor forma de garantir a prevenção e protecção contra os incêndios”, remata.

CBS – Que balanço faz da Feira do Queijo deste ano, a primeira sem quaisquer restrições da pandemia?

Luciano Ribeiro – Bastante positivo. Não só pela adesão do público, mas essencialmente pelo número de vendas que a própria feira gerou aos 120 vendedores presentes. E também pela dinâmica económica que criou em todo o concelho. Por outro lado, também é positivo que a Feira seja um momento de afirmação do concelho, da região, no qual aproveitamos para dar notoriedade aos nossos produtos e produtores. Esse trabalho surtiu efeito e acredito que se vai reflectir ao longo do ano.

Qual foi o montante de vendas?

Estamos a fazer um questionário junto dos produtores para poderem balizar esse número e o valor. Temos alguns indicadores que nos podem dar uma ideia do volume de negócios. O município, por exemplo, distribuiu seis mil sacos de compra ecológicos que eram cedidos a quem fazia compras superiores a 20 euros. Distribuímos de vinho cerca de 1800 copos durante os quatro dias. Ajudam-nos a calcular a dinâmica. Mas queremos ter uma estimativa mais real, até para ajudar a justificar o investimento público que é feito com o dinheiro dos contribuintes.

Qual é o orçamento da Feira?

Ronda os 120 e os 130 mil euros. Incluindo a promoção, publicidade e dinamização.

Seia faz uma cria o cartaz de animação com actores do próprio concelho e, ao contrário de muitos eventos do género, não tem o habitual programa de televisão que se prolonga pela tarde toda de domingo. É uma aposta estratégica?

A data da nossa feira, é por isso que temos lutado, é o fim-de-semana prolongado do Carnaval. Queremos essa data como referência e, nessa altura, há outras actividades mais atractivas para esses programas. Por outro lado, também não fazemos questão de os ter cá. O espaço onde se realiza o evento tem a sua própria dinâmica. A feira é o ponto alto das nossas associações culturais, musicais e etnográficos. Fazemos questão de ter um programa bem preenchido com os talentos que temos nas nossas colectividades. Os programas de televisão são relevantes para a promoção dos territórios, mas no caso de Seia, a feira não é o momento indicado. Queremos que venha gente para comprar e para vender e não para empatar. É claro que as pessoas gostam de ver a sua terra na televisão e havemos de encontrar esse momento. Mas na Feira do queijo? Não.

Aproveitam a atracção da serra da Estrela, da neve na Torre durante Carnaval…

Beneficiamos de dois factores. Mas no ano passado, devido à COVID, realizamos o evento fora da nossa época tradicional e houve uma enchente. A feira já traz as pessoas a Seia pelo queijo e não tanto pela neve. Estou em crer que este evento já é um destino por si só. No entanto, reconhecemos que acabam por se complementar. Quem vem à feira acaba por visitar a Serra e quem vem ver a neve acaba por vir à feira.

 O que tem feito a autarquia para ajudar os pastores a superar estes momentos como a seca e os incêndios?

Procurámos ajudar na alimentação dos animais. Ajudamos na certificação. Mas entendemos que os apoios têm de ser estruturais e não pontuais. Estamos a criar uma equipa multidisciplinar na autarquia que se irá dedicar ao desenvolvimento rural. O objectivo é ajudar na evolução da floresta e das actividades agrícolas. Será um grupo para ajudar não só os pastores, mas todos os agricultores do concelho. Queremos dinamizar o espaço rural. Transformá-lo num factor ainda mais relevante para a economia local. Queremos atrair novos actores e empresários. Acredito que as novas técnicas e conhecimentos, casadas com a tradição, podem dar o contributo para termos um espaço rural trabalhado e produtivo. E esta é a melhor forma de garantir a prevenção e protecção contra os incêndios.

Os pastores, porém, continuam a diminuir… Como pode inverter essa tendência?

Tentando. É uma actividade muito peculiar. É uma profissão dura e que tem muito a ver com a paixão. Temos de estar empenhados em apoiar estes que andam por paixão e tentar atrair outros. Procuramos manter vivas as tradições, como a transumância. Os pastores que participaram, em Dezembro receberam mil euros cada um. Acreditamos que o sector pode crescer. A indústria dos lacticínios em Seia transforma mais de 15 milhões de litros de leite por ano. Temos um efectivo de 5500 ovelhas. Temos o queijo Serra da Estrela DOP, queijo amanteigado… somos o município que produz mais queijo de ovelha do país e temos bastante orgulho nisso.

Mas apenas quatro produtores de queijo Serra da Estrela DOP…

Os rebanhos também estão concentrados. Têm mais efectivos. Estamos a trabalhar no sentido de trazer gente nova para esta actividade. Não é fácil, mas continuo a acreditar que há futuro para esta actividade. Os problemas não são apenas deste concelho, mas de toda a zona demarcada.

Seia está muito longe de produzir leite suficiente para alimentar sua indústria, falando-se mesmo da importação de leite de Espanha. Há algo que possa ser feito para aumentar essa produção?

O ideal seria termos capacidade de responder à necessidade de leite com a produção da região. Temos de ter novos actores a trabalhar de outra maneira. Temos de aumentar a produção sobretudo de leite de ovelhas bordaleiras, mas precisamos de novos empreendedores. O pastor não pode ser visto como um escravo das ovelhas, mas como outra qualquer. Em que tem direito à sua vida pessoal, a divertir-se, a ter mais tempo com a sua família. Acredito que os jovens com novas tecnologias e outras formas de produção podem superar estes problemas. A nova equipa multidisciplinar que está a ser criada na autarquia irá ajudar nessa tarefa que será a médio e longo prazo. Tudo tem de ser estruturado.

 

LEIA TAMBÉM

Nelas recebeu “Selo Município Amigo da Juventude”

O Município de Nelas recebeu, na sexta-feira, a distinção “Selo Município Amigo da Juventude”, na …

Subida de temperatura e risco elevado de incêndios no interior nos próximos dias

Distrito da Guarda em aviso amarelo devido ao calor

O distrito da Guarda vai ser um dos que vão estar entre as 12h00 de …