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Taxista negou intenção de ferir ou matar bombeiros em Nelas

O taxista acusado de ter disparado contra operacionais em Vale de Madeiros, Nelas, negou no dia 29 de Maio que tivesse intenção de os ferir ou matar, justificando que apenas queria impedir que o incêndio que provocou numa antiga serralharia fosse apagado. O homem de 64 anos, que está acusado de 12 crimes – entre os quais quatro de homicídio qualificado agravados, na forma tentada, e um de homicídio simples agravado, na forma tentada – começou ser julgado naquele dia no Tribunal de Viseu, tendo decidido prestar declarações.

“Não me passou pela cabeça tirar a vida a alguém”, afirmou ao colectivo de juízes, acrescentando que, atendendo à proximidade a que estava das pessoas e ao “campo de visão aberto”, se quisesse, conseguiria matá-las.

O arguido admitiu que, na tarde de 16 de Fevereiro de 2022, disparou tiros de caçadeira colocando o cano para fora junto à base inferior de dois postigos da adega subterrânea onde estava e que pretendia atingir “o murete (muro baixo), nunca as pessoas”.

Quando se encontrava no primeiro postigo, estaria a cerca de sete metros delas e, no segundo, “a três metros, no máximo”, contou.

No que respeita aos tiros contra dois bombeiros que estavam com a agulheta a apagar as chamas, explicou que “estava a disparar para a água”, com o objectivo de os levar a desistirem, para que as chamas destruíssem os bens, como tinha planeado.

Um bombeiro foi baleado numa perna, outro no abdómen e um terceiro num antebraço. Também um militar da GNR que estava a fazer um cordão de segurança para impedir a aproximação de pessoas ao local foi atingido numa coxa e uma mulher ficou ferida na cara.

O homem sublinhou que, “mesmo estando descompensado”, nunca foi sua intenção matar alguém e fez questão de informar o colectivo de juízes de que vários membros da sua família pertenceram aos Bombeiros Voluntários de Canas de Senhorim e que ele próprio reconstruiu o edifício da corporação.

A lista de crimes inclui ainda um de incêndios, explosões e outras condutas especialmente perigosas, um de detenção de arma proibida, um de resistência e coacção sobre funcionário agravado e quatro de coacção agravados.

Apesar de confirmar praticamente todos os factos da acusação referentes à forma como planeou o incêndio e as explosões na estrutura anexa à sua habitação, que usava como garagem, oficina e serralharia, negou ser uma pessoa violenta.

Contou que várias situações, como “visitas à casa” e o “desaparecimento de coisas”, o levaram a “um estado de desalinho completo”, em que “nem sabia o que andava a fazer” e que, por isso, decidiu pegar fogo aos seus bens “e não deixar ninguém apagar” as chamas. “Hoje não o teria feito”, afirmou.

Os factos ocorreram dias depois de o arguido ter sido notificado de que, às 15h00 de 16 de Fevereiro, um agente de execução se deslocaria ao imóvel que foi construindo ao longo dos anos, no decurso do seu casamento, e que tinha estruturas para habitação e anexos, nomeadamente a dependência contígua utilizada para garagem, oficina e serralharia e a adega.

A acusação referiu que o arguido queria “não só impedir que o agente de execução levasse a cabo a diligência de tomada de posse dos bens, mas também, e sobretudo, que os mesmos fossem vendidos e que o valor da venda revertesse, pelo menos em parte, para a sua ex-mulher”.

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